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18 Jul 2008 
 


PEDRO OSORIO E CERRITO - ANTECEDENTES HISTÓRICOS



 




 



A pesquisa a seguir foi motivada por carta enviada, em 22 de outubro de 1984, ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ,do qual sou sócio emérito, e na época presidido pelo Dr. Pedro Calmon. A remetente foi D. Leda Maciel Echenique que em nome do prefeito de Pedro Osório desejava saber se o hoje Duque de Caxias, patrono do Exército e de nossa Academia de História Militar Terrestre do Brasil havia em sua campanha (1842-45) Revolução Farroupilha acampado ao sul do rio Piratini em Pedro Osório atual..



Esta carta foi para nós despachada pelo professor Pedro Calmon, em 29 out 1984, e lhe informamos o que vai a seguir, desconhecendo se chegou a resposta a D. Leda Maciel Echenique e dali ao Prefeito de Pedro Osório.



E a seguir do rascunho que nos ficou respondo o que escrevi a época para o Dr. Pedro Calmon, atualizando dados ocorridos em 26 anos , de lá para cá



Caxias em realidade só poderia ter estado na região no período 1842/45 de seu comando o que pode ser concluído de dois documentos,publicados pelo Exército..



 




  • Ofícios do Barão de Caxias 1842/45 ;Rio de Janeiro: Imprensa Militar ,1950.
  • Ordens do Dia do Barão de Caxias. Rio de Janeiro:Imprensa Nacional,1943.



O pesquisador conhecedor da região podera com apoio nestas obras tirar suas conclusões dos locais que Caxias acampou em Pedro Osório.



 




MUNICÍPIOS DE PEDRO OSÓRIO E CERRITO – DADOS HISTÓRICOS




 



Pedro Osório foi criado por lei nº 3.735 de 3 abr 1959, tendo como sede as localidades de Cerrito e Vila Olimpo , respectivamente a margem esquerda e direita do rio Piratini e unidas pelas pontes ferroviárias (Pelotas- Jaquarão) e rodoviária (Pelotas- Arroio Grande).Hoje são municípios separados.



As terras do município se estendem ao Sul e ao Norte do rio Piratini. As do Sul foram desmembradas do município de Arroio Grande e constituída da antiga área de Olimpo e parte das de Santa Izabel. As do Norte foram desmembradas do município de Canguçu e constituídas das terras de Cerrito (ex-Estação Cerrito e Vila Freire (ex-Cerrito Velho).



 




CONSTRUÇÃO DO FORTE SÃO GONÇALO 1755




 



Em 1755 o Exército Demarcador do Tratado de Madrid, ao comando do General Gomes Freire de Andrade, estabeleceu na margem direita do rio Piratini e próximo de sua foz, o Forte São Gonçalo. Assunto por nós abordado no Diário Popular de Pelotas no artigo "Forte de São Gonçalo" – 1755-1801, publicado na Coluna Querência em 3 e 10 dez 1972. Uma visão da campanha que envolveu o Forte São Gonçalo pode ser tirada de nosso artigo "Síntese Histórica das Forças Terrestres do Brasil na Área da 3ª Região Militar 1639-1755" publicada na Revista Militar Brasileira, jul/dez 1973.



Durante o período 1763-1777, o Rio Grande foi invadido por espanhóis. Serviu o atual município de Cerrito a partir de 1769, de base de guerrilhas contra os espanhóis em Rio Grande e levadas a efeito pelos Dragões do Rio Pardo e as tropas leves de Rafael Pinto Bandeira.



Este assunto o tratei em artigos do Diário Popular:



  • "Ruínas antigas em Canguçu" (ruínas da sede da estância de Luiz Marques de Souza, próximo a Vila Freire). 21 fev 1971.

  • "Tropeada Cultural à Zona Sul". 12, 19 e 26 mar 1972, A redescoberta do esquecido Forte São Gonçalo foi assinalada por um monumento construído na Estância do Liscano de propriedade de Fernando Luiz Osório, inaugurado pelo General Edmundo Adolpho Murgel, comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada, com apoio em pesquisas por nós realizadas sobre o Forte São Gonçalo e que foram colocadas em urna no interior do monumento.



Detalhes da cerimônia são focalizadas pelo Diário Popular de 21 e 23 abr



  • 1978 .

  • Abordamos este assunto na História da 3ªRegião Militar 1808-1889 e Antecedentes. Porto Alegre:3ªRM,1995



 




CERRITO E PEDRO OSÓRIO NA GUERRA 1763-1764




 



Este assunto consolidamos em nosso livro Canguçu – reencontro com a História. Porto Alegre: IEL, 1984.



 




CERRO PELADO – PRIMEIRA DENOMINAÇÃO DA ÁREA




 



A primeira denominação geográfica referida na área de Cerrito é o Cerro Pelado. Expulsos os espanhóis da Vila de Rio Grande em 1º abr 1776, o Cerro Pelado tornou-se importante ponto de vigilância de um ataque espanhol a partir de Santa Tecla, em Bagé atual.



A partir do estabelecimento do Tratado de Santo Ildefonso de 10 out 1777 a fronteira Portugal- Espanha passou a correr, de fato, pelo rio Piratini. Para o município atual de Cerrito , ao norte do rio Piratini, migraram diversos súditos de Portugal. Piratini atual foi fundada em 1789, por casais açorianos, ano que coincide com a transferencia para São Leopoldo, da Real Feitoria do Linhocânhamo sediada em Canguçu Velho de 1783/89 .



Foi então procedido um levantamento de 1784-88, pela Comissão de Demarcação do citado tratado.



A parte de interesse de Pedro Osório e Cerrito publicamos sob a forma de mapa em nosso livro O Negro na Sociedade do RGS. Palegre: IEL, 1976, p. 185 (.



Do São Gonçalo, ao longo da margem direita do rio Piratini ,aparece o passo do Liscano, umas charqueadas, o Forte São Gonçalo, o posto de Estância da Charqueada, a Estância do Francisco Ruiz, a Estância do Correia Pinto, a Estância do José Cardoso (ao norte da confluência do Santa Maria – que já figura no mapa – com o rio Piratini).



Do São Gonçalo, ao longo da margem esquerda do Piratini aparecem Passo do Bica, Estância do Coronel Rafael Pinto Bandeira, Estância de Pedro Fagundes (na confluência com Arroio das Pedras que aparece com este nome) e entre o rio Piratini e o arroio das Pedras, as Estância do Major Manoel Marques de Souza e de seu irmão Luiz Marques de Souza (estabelecida antes de 1763 e base de guerrilhas que citei a partir de 1769). Aparece igualmente o Cerro Pelado.



O passo do Acampamento surge com este nome desde então. A dúvida se foi ponto de vigilância na guerra ou de acampamento da Demarcação.



Os estancieiros ao norte do Piratini ,em Cerrito atual, eram as figuras militares mais importantes das nascidas no Rio Grande do Sul e continuariam a sê-lo.



Isto denota a importância econômica da região aonde vinham ter manadas de gado do Sul do rio Piratini, com destino as charqueadas a sua margem direita (ver mapa citado) ou a Pelotas.



 




NA GUERRA DE 1801




 



Na Guerra de 1801 moradores de Cerrito atual, ao Norte do rio Piratini, irão ter papel de destaque ao mando do Cel Manoel Marques de Souza, proprietário na região, na expansão da fronteira pelas armas, do Piratini ao rio Jaguarão, conforme abordamos no Diário Popular sob o título: "Guerra de 1801" – 31 março 1971 e na citada História da 3ª Região Militar e na História da 8ª da Inf Motorizada- Brigada Manoel Marques de Souza 1º.



Com a expansão da fronteira, novo fluxo povoador, particularmente de portugueses, se verificou para a região em torno da Vila Freire (ex-Cerrito Velho e ex-Cerrito do Piratini e às vezes até Piratini).



Aspectos desse povoamento foi abordado por:



VACARIA, Frei Cristóvão de. Rebelião das Águas em Pedro Osório (ex-Olimpo e



Cerrito – abr 1959). Porto Alegre: Ed. Tip. Champagnat, 1960.


Entre os Vaz, originários de Bragança, os Bento, de Torre de Moncorvo, os Mattos de Guimarães, todos de Portugal e os Gomes dos Açores que ali se fixaram entre 1785-1816, encontro significativa parcela de seus ancestrais conforme abordamos no citado Canguçu – reencontro com a História.


 



PRIMEIRA DENOMINAÇÃO PROVÁVEL – PASSO MARIA GOMES



 



Vem dessa época o nome de Passo Maria Gomes, ligando, as sedes dos atuais Pedro Osório e Cerrito , as margens do Piratini. Isto em razão de Maria do Rosário Gomes (nossa tia trisavô) filha do proprietário da margem norte Manoel José Gomes (nosso tetravô) haver mandado abrir o passo citado para assistir missa na Capela da Estância Santa Cruz (ex-Olimpo).




Morreu afogado nesse passo, em 24 de agosto de 1799, o referido proprietário Manoel José, quando, atravessava o rio para fazer compras na estância de Pedro Só, ao Sul.



Decorrido um ano casaram-se (na futura Estância Cerrito) em oratório São Francisco do Piratini, então existente, nossos trisavôs Malaquias José Borba e Tereza Gomes de Jesus (25 jul 1800) irmã de Maria Gomes que foram residir na Armada no Vale do Camaquã. Armada lembrando as dificuldade passadas naquele passo pelo Exército( armada em espanhol) do General governador de Buenos Aires , o mexicano D. Vertiz y Salcedo. Exercito que obrigado a se retirar frente a Rio Pardo, por sofrer derrotas em Santa Bárbara e Tabatingai procurou atingir Rio Grande, tendo passado por Canguçu e Cerrito, para atingir Rio Grande.



 




CERRITO – HISTÓRICO PONTO DE PASSAGEM




 



A cidade de Cerrito atual, desde 1756 foi ponto de passagem de um dos mais históricos e estratégicos caminhos do Rio Grande do Sul que assim balizo hoje.



Forte do Rio Pardo, Encruzilhada do Sul, rio Camaquãm (passos Camaquã de Baixo – atual Vao dos Prestes e Armada) – Coxilha do Fogo (primitiva Encruzilhada do Duro) – Canguçu (Cerro Partido e Arroio das Pedras) – Coxilha dos Campos – Morro Redondo – Cerro Pelado – Pedro Osório – Estância Silvana – Forte São Gonçalo – Fazenda Liscano – Passo do Liscano no canal São Gonçalo – Povo Novo – Quinta – Rio Grande.



Foi ponto de passagem importante de produtos embarcados ou desembarcados no porto de Santa Isabel, provenientes ou com destino a fronteira do Quarai e Uruguai, conforme assinalou nosso irmão Ernani Moreira Bento que conhecia a região.



Fato a merecer pesquisa científica para determinar as causas do fastígio e decadência de Santa Izabel que chegou a ser vila e município durante quase nove anos (1984-1893) de igual qual forma que a Estação Cerrito, criado município em 2 abril 1891 sem chegar a instalar-se.



Presumo que a decadência de Santa Izabel ligue-se de certa forma a construção da Ponte do Império, no passo de Acampamento do rio Piratini em 1870.



 




ALGUMAS CONFUSÕES A EVITAR




 



O pesquisador deve estar alerta para a confusão acerca de certas denominações toponímicas antigas.



Cerrito éra a denominação histórica primitiva da atual Vila Freire. A origem do povoado data de 1812, quando ali foi erigida a Capela N. S. do Rosário do Cerrito ou Capela do Cerrito do Piratini ou até Piratini. Esta última denominação sendo confundida com a atual cidade de Piratini, na época da Independência chamada Vila dos Casais e Cerrito ,ou Vila Freire de Piratini.



É comum confundir-se o Cerrito do Piratini, com o Cerrito do Jaguarão, ou Vila de Espírito Santo do Cerrito (atual cidade de Jaguarão) conforme a pintou Debret e que predominava a época da Guerra Cisplatina 1825-28.



Com a construção da ferrovia Pelotas- Jaguarão, a região em torno do passo Maria Gomes, ao Norte do Piratini, passou a ser conhecida como Estação Cerrito, ou simplesmente Cerrito e o antigo Cerrito e atual Vila Freire, de Cerrito Velho, próxima do histórico e estratégico Passo do Acampamento (desde a guerra 1763-74), onde foi erigida a célebre e histórica Ponte do Império sobre o rio Piratini, de 1865-70 de grande projeção nacional e internacional,conforme abordamos em nosso Canguçu reencontro com a História .



A cidade de Canguçu atual foi fundada em 1800 e deu lugar a denominação de Canguçu Velho, onde funcionara o sobrado sede da Real Feitoria do Linhocânhamo do Rincão do Canguçu (1783-89), cujos vestígios que localizamos do sobrado de pedra e do mangueirão de pedra quadrada ainda estão bastante conservados. Em meu livro citado O Negro na Sociedade do RGS. Porto Alegre:IEL,1975, publico fotos que tiramos destas ruínas ao descobri-las



A cidade atual de Canguçu cujo nome primitivo foi de Arroio das Pedras. Era como se chamava o atual Arroio Grande, que possui nascentes próximo a cidade de Canguçu e que ajuda a abastecer com o nome de Arroio do Moinho a cidade de Canguçu Arroio Grande em razão de sua enorme extensão e que chamou-se já Canguçu e Turucu.



Documento importante que consultamos na Biblioteca Nacional nos permite esclarecer o seguinte.



A Real Feitoria do Linhocânhamo funcionou no Rincão do Canguçu 1785-89. O Rincão do Canguçu constituiu-se numa enorme extensão de terra entre os arroios Correntes e das Pedras (atual Arroio Grande) e Serra dos Tapes (vertente do Lagoa dos Patos abrangendo Canguçu Velho parte mais alta da Fazenda) e a própria Lagoa dos Patos. Incluía a Ponta do Canguçu já conhecida desde 1758, pelo menos no extremo da ilha depois chamada Canguçu e finalmente Ilha da Feitoria e na qual, segundo o documento citado, não foi nem sequer semeado o linho.



A Ponta do Canguçu deu origem a denominação do Rincão do Canguçu, a enorme Fazenda Real, entre o Correntes e o Arroio Grande, cuja primitiva sede foi em Canguçu- Velho atual para distinguir de Canguçu ,fundado 11 anos depois da transferência da Real Feitoria para São Leopoldo e as terras serem vendidas ao Capitão Mór Rodrigues Prates, genro do General Marques de Souza que foi grande sesmeiro em Cerro Pelado. Forneço detalhes em nossa plaqueta Real Feitoria do Linhocanhamo do Rincão do Canguçu 1783/89-Localização .Canguçu: ACANDHIS/Prefeitura Municipal,1992.



O documento refere a arroio do Tigre, que julgo tratar-se do arroio Quilombo atual. Isto visando alguma conotação de palavra Canguçu (onça onça palustres) com o lugar existente no Rincão do Canguçu a época.



Outra confusão que predominou por muito tempo, foi confundir-se a Encruzilhada do Norte do Camaquã (atual Encruzilhada do Sul, com a Encruzilhada ao Sul do mesmo rio, Encruzilhada do Duro (atual Coxilha do Fogo). O livro Canguçu – reencontro com a História esclarece o assunto.



 




NÚCLEOS GEO-HISTÓRICOS DE PEDRO OSÓRIO E CERRITO




 



Destacam-se cinco núcleos geo-históricos a saber: Vila Freire, Cerrito (antiga estação Cerrito), Olimpo e Santa Izabel.



 




Vila Freire: Povoamento teve início depois de expulsão dos espanhóis da Vila de Rio Grande em 1776, de parte de açorianos e descendentes vindos de Rio Grande (Mostardas, Estreito, Povo Novo). Após a Guerra de 1801 e Campanha de 1812 do Exército Pacificador forneceu grandes contingentes de povoadores das regiões incorporadas entre o Piratini e Jaguarão, entre os Ibicui e Quarai e Sete Povos. Uma pesquisa profunda revelará aspectos interessantes dessa região, do ponto de vista das famílias gaúchas importantes que ali residiram. Foi no Império um local movimentado e hoje um exemplo de involução. Até que ponto influíram negativamente no seu destino a Ponte do Império 187o e mais tarde, a ferrovia Pelotas- Jaquarão, passando por Estação Cerrito. Cerrito Velho chegou a possuir 5 capelas.E nelas foram batizados os irmãos Saraiva(Gumersindo etc).




Estação Cerrito ou Cerrito: O povoamento teve lugar por volta de 1785 quando ali se estabeleceu com 9 léguas de campo Manoel José Gomes( nosso tetravô) adquiridas do Major Manoel Marques de Souza. O local chamou-se inicialmente Maria Gomes conforme já referimos e que faleceu em 7 mar 1839 durante a Revolução Farroupilha.




Depois Joaquim José Vaz de Bragança, casado com Manoela de Souza Vaz (nossos tetravôs) adquiriram a herança de José Emílio Gomes, irmão de Maria Gomes.



Os herdeiros de Joaquim José Vaz de Bragança receberam a área da antiga Estação Cerrito e entre eles Antonio Joaquim Bento, casado com sua neta Izabel (nossos bisavós) e seu irmão Carlos Frederico Lecor Bento , casado com Maria Thamásia Vaz irmã de Izabel e tronco dos Bentos de Cerrito e Barnabé José de Souza (Cel Tututa) que casou sucessivamente com Maria Altina e Maria Madalena. Barnabé (Cel Tutula) loteou a mais tarde Estação do Cerrito, doando terrenos para a estação, capela e cemitério.



Entre os fundadores de Cerrito encontram-se os Gomes, os Vaz, os Bentos, os Caldeiras, os Souzas, os Portos e os Bernardes. Os dois últimos foram os primeiros oleiros, atividade que atingiu grande expressão no Cerrito.



Impõe-se uma pesquisa mais profunda inclusive em livros de registros (batismos, óbitos e casamentos) para recuperar-se a memória de Cerrito.( E isto acaba de ser feito expressivamente por Genes Leão Bento na sua excelente e esclarecedora obra Raízes de nossa História. Pelotas: Estiilus Artes Gráficas,2005)



 




Olimpo: A primeira denominação notável foi a do Forte São Gonçalo (1756-1801). Em 1784 é assinalada pela Estância que aparece num mapa na nossa obra O Negro e descendentes, p. 119. Creio que chegou a ser conhecido também como passo Maria Antonia e depois Santa Cruz, por desenvolver-se dentro da Estância de Santa Cruz, como também Paraíso, por situar-se próximo a Estância Paraíso e mais tarde Estação Piratini, o que resultava em abreviarem por Piratini, confundindo com Piratini, cidade e depois Ivo Ribeiro e finalmente Olimpo, segundo versão local com o sentido de Paraíso, nome anterior ligado a Estância do Paraíso.




 




Santa Izabel: Junto a Lagoa Mirim e que por certo uma pesquisa histórica aprofundada revelará uma importância histórica passada muito significativa no sentido de intercâmbio cultural da Fronteira do Uruguai, Centro do Estado com Rio Grande, Pelotas.




Estância esta estabelecida ao Sul de Piratini depois de 1776 e que atingiu razoável progresso, e assim possuiu :



Edifício com 300 aberturas e assobradado, capela de 13 x 30m, olaria, senzala, cemitério e movimentada por cerca de três centenas de escravos.



 



Estes foram os dados que conseguimos resgatar ao longe .Informações locais poderão precisar , corrigir estes dados e os incorporarem as histórias de Cerrito e Pedro Osório .



O Município de Piratini foi criado em 1830, por Decreto Imperial de 15 de dezembro e integrado pelos distritos de Canguçu, Cerrito e Bagé até o Pirai. Em 1846 perdeu o municipio de Bagé então criado e, em 1857 o de Canguçu então criado e que absorveu o distrito de Cerrito que fez parte de Canguçu por um século.. Piratini em 1878 perdeu o seu distrito de Cacimbinhas ,criado município e hoje Pinheiro Machado.



Em 1828 o Exército Imperial que havia combatido na Guerra Cisplatina 1825/28, com os argentinos e orientais ( uruguaios) foi desmobilizado em Piratini , que 2 anos depois seria criado município e onde passaram a residir veteranos desmobilizados e descontentes , dando início a insatisfações que 5 anos mais tarde alimentariam a Revolução Farroupilha . Foram tropas do Corpo da Guarda Municipal do termo de Piratini , recrutadas em seus distritos ,incluindo os de Canguçu, Cerrito e Bagé até o Pirai , que transformados em Brigada Liberal de Antônio Netto, venceram no município de Piratini, em Seival , em 10 de setembro 1836, tropa imperial ,o que criou condições, no dia seguinte, ainda no municipio de Piratini , em Campo do Meneses , a proclamação da Republica Rio Grandense 1836/45 , a única experiência republicana no Brasil , antes que ela fosse proclamada, em 15 de novembro de 1889, 46 anos mais tarde .



Portanto foram filhos de Piratini, Canguçu ,Cerrito e de Bagé que integraram as forças de Netto vencedoras em Seival e que no outro dia proclamaram a Republica Rio Grandense, ou do Piratini que durou cerca de 9 anos e que foi instalada em Piratini onde ela viveu os seus dias de maior glória.



Mas à pacificação seguiu-se um longo período de discriminações, perseguições e pressões políticas sobre os piratinienses, canguçuenses, cerritenses e bageenses que a conquistaram e proclamaram, de modo que estes se sentissem neste período complexados por haverem sido discriminados pelos governos do Império E passaram seus descendentes a padecer, como de um complexo de inferioridade pelas ações de seus ancestrais na revolução, mesmo depois de a Revolução haver sido exaltada na República e, seus símbolos serem adotados pelo Rio Grande do Sul em 1891 e o Palácio do Governo do Estado passar a ser chamado de Palácio Piratini. Mas para Piratini, Canguçu, Cerrito e Bagé suas participações relevantes para a adoção da Republica Rio Grandense ,que se projetam na Republica do Brasil foram cobertas pela patina dos tempos e por eles esquecidas. A própria data de 11 de setembro de 1838, até pouco tempo era dada pouca importância, em beneficio do 20 de setembro, cujas conquistas em Porto Alegre foram anuladas com a sua reconquista pelos imperiais e prisão do governo farroupilha que ali se instalara e que foi todo levado preso para o Rio de Janeiro.



Enfim esta na hora de Piratini, Canguçu, Cerrito e Bagé até o Pirai recobrarem e cultuarem a importância de suas participações na adoção da República Rio Grandense ,hoje tão festejada pelos gaúchos , inconscientes do que aqui estamos resgatando , fatos que de certa forma abordamos em nosso trabalho Piratini um sagrado símbolo gaúcho farrapo. Canguçu:IHTRGS/ACANDHIS,2001 que distribuímos bastante a interessados a época e repetimos ao fundarmos a Academia Piratiniense de História , em 6 de julho de 2003, em Piratini, no CTG 20 de setembro.



Esta na hora das lideranças e tradicionalistas de Piratini, Canguçu, Cerrito, Bagé e municípios deles originários reclamarem estas glórias que conquistaram .E Cerrito o fato de um filho seu o Tenente Farrapo Manoel Alves da Silva Caldeira, haver fornecido a historiadores gaúchos o muito de essencial sobre a Revolução que ele presenciou e escreveu .Personagem que estudamos em nosso O Exército farrapo e os seus chefes .




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17 Jul 2008 
HISTÓRICO DA ERVA MATE

Os primeiros a fazerem uso da erva-mate foram os índios Guarani, que habitavam a região definida pelas bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, na época da chegada dos colonizadores espanhóis. Soldados espanhóis aportaram em Cuba, foram ao México "capturar" os conhecimentos das civilizações Maia e Asteca, e em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguai. No local, impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina, Assunción del Paraguay.

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Os desbravadores, com saudades de casa e longe de suas mulheres, tomavam porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma grande ressaca. Os soldados observaram que tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarani, o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande através dos soldados espanhóis. As margens do Rio Paraguai guardavam uma floresta de taquaras, que eram cortadas pelos soldados na forma de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima. Os paraguaios tomam chimarrão em qualquer tipo de cuia. São os únicos que também têm por tradição tomar o chimarrão frio. O "tererê" paraguaio pode ser tomado com gelo e limão, ou utilizando suco de laranja e limonada no lugar da água. Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai (posteriormente nas missões), fundaram várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios guaranis, habitantes da região. COMO SE “FAZ A ERVA” A primeira operação que se verifica no que os ervateiros denominam “fazer erva”, é, naturalmente, a colheita. É ela feita geralmente de três em três anos, pois este é o período necessário para que a erveira readquira uma nova e farta folhagem. A produção normal de uma erveira de quatro a oito metros de altura beira a quantidade de cinqüenta quilos. Erveiras seculares, porém, crescidas no recesso das florestas, chegam a produzir trezentos quilos de mate. Como vemos, a erva mate é, na realidade, uma riqueza inesgotável. O método utilizado para a colheita é o mesmo dos primeiros tempos: eliminadas as plantas vizinhas que possam embaraçar o trabalho, o ervateiro sobe à árvore e inicia o corte dos galhos e dos ramos grossos, por meio de grandes tesouras de aço, foice e facões. Ao findar esta operação, encontra-se a erveira completamente despida, apresentando apenas a silhueta dos galhos principais e terminais e, à extremidade destes, a balançante “bandeirola” ou “flecha”, único grupamento foliáceo que fugiu da devastação.

ETAPAS DO PROCESSO DE BENEFICIAMENTO DA ERVA MATE

Folha verde Quando “in natura”, é constituída por folhas e ramos obtidos pela poda da erveira. A folha é formada pelo limbo e pecíolo, os quais resultam, após o processo industrial, em fragmentos, goma e pó. Os ramos são cada uma das divisões e subdivisões do galho. A erva mate não pode ser artificialmente colorida, esgotada no todo ou em parte, alterada, adicionada de ingredientes e misturada com outros vegetais. Colheita: Corte - a partir de março até agosto, época em que a diminuição do calor retarda o movimento da seiva; os galhos da árvore são cortados e empilhados no local onde será feita a preparação. Sapeco - os galhos são rapidamente assados sobre uma fogueira estreita e comprida com troncos de árvores recém-cortados, não muito grossos e com oito ou dez metros de comprimento. Depois, os pequenos ramos guarnecidos de folhas são arrancados dos galhos maiores e enfardados para serem levados à secagem definitiva.
 
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Fase Barbaquá: É onde se localiza o conjunto de equipamentos de secagem, feita através de condutos que não permitem a ação direta da fumaça sobre as folhas de erva mate. Secagem - os ramos são estendidos sobre o barbaquá, uma espécie de estrado armado numa área coberta. Uma tubulação subterrânea, em geral forrada com tijolos, traz o calor do fogo mantido acesso numa área externa ao barbaquá. Cancheamento - a trituração das folhas é feita em canchas cilíndricas, usando um pesado cilindro de madeira, o malhador, dotado de pinos movidos a tração animal ou mecânica. As canchas são dotadas de piso de madeira, com orifícios que funcionam como uma peneira seletiva. A erva já triturada passa para um recinto assoalhado, sob a cancha furada, pronta para ser ensacada e transportada para o engenho. O barbaquá tradicional ainda pode ser encontrado nas pequenas propriedades rurais. Entretanto, algumas modificações introduzidas nas diferentes fases do processo de preparo da erva mate indicam maior preocupação com a produtividade. Nas propriedades maiores, já existem barbaquás mecânicos, onde até mesmo a operação de sapeco, sem dúvida a mais penosa para os preparadores da erva mate, é feita com o uso de máquinas simples. Moagem É o início do processo de industrialização, onde se executa a pulverização de folhas, pecíolos e pedúnculos em moinhos, e se obtém a folha, a goma, o pó e resíduos através de peneiramentos e classificações. Mistura Neste setor são determinadas as proporções dos produtos selecionados na moagem, que, após misturados, são classificados como produtos comerciais da erva mate. Empacotamento Os produtos comerciais da erva mate, devidamente separados conforme sua classificação, são empacotados e embalados para serem expedidos ao mercado consumidor.

CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS DE COMERCIALIZAÇÃO DA ERVA MATE PN
 
padrão nacional O produto cancheado e padronizado é moído e preparado para o consumo com água quente: chimarrão no processamento, a erva mate é passada na peneira de 10 mm, resultando: Tabela 1. Padrão Nacional TIPO MÍNIMO DE FOLHAS MÁXIMO - OUTRAS PARTES DO RAMO PN 1 70% 30% PN 2 60% 40% PN 3 50% 50% PT – padrão tererê O produto cancheado e padronizado é moído e preparado para o consumo com água fria. No processamento, a folha da erva mate é passada na peneira de 10 mm, e as outras partes do ramo são passadas na peneira de 12,5 mm, nas seguintes proporções: Tabela 2. Padrão Tererê

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TIPO MÍNIMO DE FOLHAS MÁXIMO 

OUTRAS PARTES DO RAMO PNT 1 70% 30% PNT 2 60% 40% PNT 3 50% 50% ANALISE ECONÔMICA DA ERVA MATE Entre as culturas que tem se destacado na economia dos estados do sul do Brasil, a Erva-Mate aparece como uma excelente alternativa para as pequenas propriedades rurais. A cultura esta sendo produzida em aproximadamente 180 mil propriedades e rende aos produtores mais de R$ 150 milhões anuais. A Produção de 1994 de 208 mil toneladas de erva cancheada, está concentrada nos estados de Santa Catarina (36,5%), Rio Grande do Sul (32,4%), Paraná (29,8%) e Mato Grosso do Sul com 1,3% da produção Brasileira de Erva- Mate. A produção de erva mate no Brasil atinge 355 mil toneladas (IBGE) empregando 171 mil pessoas e gerando R$ 180 milhões. 90 a 95% do volume produzido destina-se ao chimarrão, e o resto é destinado ao chá e outras bebidas A indústria química está passando a utilizar a erva mate em tinturas de cabelo e medicamentos e esta realizando testes para comprovar sua ação antimicrobiana.

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PRAGA DA ERVA MATE A pior praga para a erva é a broca-da-erva-mate, um cascudo que faz galerias dentro das plantas. Para o produtor, o principal problema é a impossibilidade de aplicar herbicidas, que alteram o sabor do mate. Assim, o único meio de eliminar a praga é por catação.
 
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UTILIDADES DA ERVA MATE Existe hoje uma infinidade de usos industriais identificados para a erva mate, além do tradicional chimarrão, do tererê e do chá mate. O extrato de folhas, a clorofila, os óleos essenciais, a cafeína, os flavanóides e as saponinas contidas na erva mate podem se transformar em: - Bebidas: chimarrão, tererê, chás, refrigerantes, sucos, etc. - Insumos para Alimentos: corantes, conservantes, sorvetes, balas, bombons, caramelos, chicletes... - Medicamentos: compostos para tratamento de hipertensão, bronquite, pneumonia, asterosclerose... - Higiene Pessoal: bactericida, antioxidante hospitalar e doméstico, esferizante, esterilizante, tratamento de esgoto... - Produtos de uso Pessoal: desodorante, cosméticos, perfumes, sabonetes.
 
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PROPRIEDADE TERAPÊUTICAS

Estudos científicos realizados por laboratórios de diversas universidades e por conceituados cientistas e institutos de pesquisas, atestam as propriedades medicinais e nutritivas da erva mate. O uso da infusão, em pouco tempo, “refaz da fadiga e excita ao trabalho”, sendo que a principal propriedade do mate consiste em duplicar a atividade sobre todas as formas: intelectual, motora e vegetativa, produzindo facilidade, elasticidade e agilidade físicas, sensação de força e bem estar. De acordo, com os diversos estudos realizados sobre a erva mate, suas propriedades, chegam à ser espantosas. A cafeína exerce efeito sobre o sistema nervoso central, estimulando o vigor mental. Com vitaminas do complexo B, o mate participa do aproveitamento do açúcar nos músculos, nervos e atividade cerebral do homem; vitaminas C e E agem como defesa orgânica e são benéficas para os tecidos do organismo; sais minerais, juntamente com a cafeína, ajudam o trabalho cardíaco e a circulação do sangue, diminuindo a tensão arterial, dado que a cafeína atua como vasodilatador. Em tais situações, também pode ser suprida a sensação de fome. 0 mate favorece a diurese, sendo de grande utilidade nas moléstias de bexiga. Atua também sobre o tubo digestivo, ativando os movimentos peristálticos, facilita a digestão e suaviza os embaraços gástricos, favorecendo a evacuação e a mictação. Os componentes químicos encontrados na erva, apontam a presença de vitamina B1, cálcio, ferro, fósforo e manganês, confirmando as propriedades terapêuticas da erva mate como estimulante, diurético e facilitador da digestão. A erva mate também apresenta potencial preventivo e curador da aterosclerose, doença causada pelo acúmulo de gordura nas artérias. A ação oxidante reduz a reatividade vascular, comprometendo o vasorelaxamento necessário para uma boa circulação sangüínea e podendo, causar, entre outras complicações, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Ingrediente principal do chimarrão, a erva se mostrou um eficaz redutor das reações de oxidação que causam a doença. Próximo passo é transformá-la em alimento funcional e em fitofármaco.

LENDA DA ERVA MATE

O Surgimento da erva pelo Deus Tupã


        Conta a lenda que a árvore de onde se colhe a folha para produzir a bebida amarga adorada por tantos gaúchos só surgiu no mundo depois de um pedido muito especial feito a Tupã o grande deus indígena. 

        Em algum lugar no meio das coxilhas vivia aquerenciada uma tribo guarani cujo cacique tinha muita fama de valentia, bravura e sabedoria. Era um exemplo para seus comandados. Todos os índios queriam ser como ele, lutar como ele, caçar como ele, ter o conhecimento de tudo o que ele sabia. Outro motivo de orgulho para o cacique era a sua linda e formosa filha, Caá-Yari, muito admirada pelos jovens guerreiros. 

        Mesmo com tantas razões para ser um homem altivo e feliz, o chefe índio andava acabrunhado. Triste. Uma tristeza vinda lá do fundo da alma. O cacique estava se enveredando pelos caminhos da velhice e tinha medo de ficar sozinho. 

        Além disso, estava preocupado com sua sucessão. Não tinha filho homem e precisou escolher para sucedê-lo o mais valoroso entre os guerreiros da tribo. Justo o bravo pela qual sua filha Caá-Yari estava apaixonada. Era um grande problema a afligi-lo.Pela lei dos guaranis, a mulher do chefe da tribo tinha de acompanhá-lo em quaisquer de suas viagens, fossem caçadas, fossem batalhas, fossem missões de paz ou a busca de novas terras.

        Assim, se Caá-Yari casasse com o guerreiro escolhido para se tornar o novo cacique, muitas vezes teria que se ausentar da tribo. Com a filha longe, o velho chefe não sabia se ia agüentar continuar vivendo.             Caá-Yari conhecia as apreensões do pai. E para não magoá-lo, a bela índia amava seu adorado em segredo. A filha zelosa sabia que, só com o pensamento de vê-la longe, o cacique caía numa melancolia danada. 

        O desprendimento de Caá-Yari era percebido pelo chefe indígena. Sua dor e angústia eram tantas que decidiu procurar Tupã, o deus dos deuses, aquele que costuma ordenar todas as coisas do mundo. O cacique tinha consciência de que não poderia exigir a presença da filha ao seu lado para sempre e pediu a Tupã que lhe escolhesse um companheiro para as horas de solidão.Como forma de atender o pedido, o grande cacique do Céu mostrou ao cacique da Terra uma árvore grande, de folhas verdes. Dessa árvore o chefe índio retiraria, secaria e torraria as folhas, fazendo com elas uma bebida amarga e quente, mas deliciosa. Seria sua companhia para quando ninguém estivesse junto a ele. Para preencher o vazio da saudade. E assim foi criada a erva-mate. 

        Tupã também ensinou o cacique a partir o porongo e a fazer um canudo de taquara. Junto com a erva, surgiram a cuia e a bomba do chimarrão. Arraigando-se ao hábito da nova companhia, o cacique pôde finalmente confirmar seu sucessor como legítimo líder da tribo e, ao mesmo tempo, abençoar a união dele com sua filha. Agora, quando os dois jovens estivessem longe, o velho índio teria sempre ao seu lado o antídoto para espantar a tristeza. 

        Por ter sido a razão principal do surgimento da erva-mate, Caá-Yari passou a ser a padroeira e protetora dessas árvores.Desde então, a lenda foi sendo contada de geração em geração. Uma história que passou a rechear a prosa nas rodas de chimarrão.


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16 Jul 2008 
CULINARIA DO GAÚCHO


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16 Jul 2008 
O CAVALO



Até hoje, muito embora algumas tentativas, o cavalo ainda não pode ser substituído por máquinas nas lidas de campo.

Estas o ajudam. Estas ajudam muito, mas ainda não podem fazer o que o cavalo faz, como por exemplo, um aparte no rodeio ou numa porteira de mangueira. Além disso, o cavalo é o ingrediente que maiores belezas e alegrias produzem dentro dos trabalhos de uma estância. Ë belo, é ágil, é inteligente, é dócil, é veloz, é vaidoso, é forte, enfim nos proporciona momentos de verdadeiro encantamento, principalmente quando, em seu lombo, praticamos as mais difíceis, porém mais emotivas e alegres lidas, como o tiro de laço e o aparte, que hoje os "Crioulistas"apelidaram de "Paleteada" .

Convença-se, pois, que você jamais poderá deixar de possuir alguns, porá apoder desempenhar a contento suas atividades e, sobretudo, para poder usufruir a felicidade que eles sem dúvida alguma vão proporcionar-lhe. Confira e verá!

Existem muitas raças. Aqui no Estado do Ro Grande do Sul cria-se:
1) Inglês,
2)Árabe,
3)Crioulo,
4)Quarto de Milha,
5) Manga larga,
6)Percheron, etc.


Suas principais características são:

  1. Inglês: Muito altos, extremamente velozes, não se prestam muito para a lida campeira, são apropriados para carreiras de tiro longo;
  2. Árabe: Altos, muito ágeis, finos de corpo, belíssimos, porém também não são aconselháveis para o campo porque são extremamente nervosos e exageradamente delgados;
  3. Crioulo: São os mais rústicos dos aqui enumerados, engordam em qualquer campo, são pequenos, mas grossos e fortes, favorecendo as manobras rápidas e em espaços reduzidos, não dependem de trato suplementar além do campo. São os cavalos ideais para serviços com o gado;
  4. Quarto de Milha – Muito velozes em tiros curtos de até 400 metros, prestam-se muito bem para o tiro de laço, porém perdem para o Crioulo na rusticidade porque dependem sempre, de alguma ração suplementar além do campo. São um pouco maiores que os Crioulos;
  5. Manga Larga – Boníssimos para longas viagens, em face do seu bom cômodo e da velocidade que desempenham, geralmente são "marchadores" o que os fazem perder para o Crioulo num espaço vital: o pique da arrancada. O Crioulo, por ser geralmente de trote arranca com mais rapidez em face da posição das patas que, no trote, estão mais próximas umas das outras;
  6. Percheron – Insuperável na força são apropriados para tração.

Diante das principais características enumeradas acima você naturalmente já deduziu a raça que mais lhe convém.

Ao iniciar sua nova atividade você, deveria adquirir algumas éguas, que, além de servirem para o trabalho também servirão para dar-lhe novos cavalos, assim sua estância faria naturalmente a renovação da cavalhada. No entanto não exagere na quantidade, porque um eqüino come por 2 ou 3 vacas, além de pastar noite e dia, ainda arranca algum pasto com a raiz.

O conceito generalizado entre os estancieiros antigos era de possuírem centenas e até milhares de eqüinos. Conheci uma proprietária, em Mostardas, Maria Joaquina Osório Velho, que chegou a possuir 2.000 animais cavalares. Meu pai, enquanto criador de certa escala, nunca teve menos de 200 eqüinos, apenas por puro prazer e um certo orgulho.

Hoje, salvo em Cabanhas especializadas em criação de cavalos, isto é absolutamente antieconômico.


Pêlos

Já que dedicamos um capítulo aos Cavalos, seria imperdoável não falarmos sobre os seus variadissimos pêlos. Dado a sua grande importância, dedico-lhe em capítulo especial.

O assunto é polêmico porque encerra muitas diferenças entre as várias regiões do Rio grande. Além disso, existe ainda, enorme discrepância entre as linguagens militar ou turfistas e a da gauchada campeira, que jamais chamou o cabalo zaino de castanho...

Por outro lado alguns animais possuem em seu corpo mais de uma pelagem, o que dificulta a identificação.

É oportuno lembrarmos, também, que até um ano e meio a dois anos de idade alguns eqüinos mudam a pelagem, só atingindo a definitiva a partir daí.

Como me propus, neste modesto trabalho, a transmitir aos leigos alguns ensinamentos, coerentemente permanecerei dentro desta linha, respeitando sempre o regionalismo crioulo.

São, pois, os seguintes pêlos que conheço:

  • ALAZÃO: vermelho – claro alarenjado.
  • AZULEGO: azulado, com uma ou outra mancha branca.
  • BAIO: cor de café com leite fraco.
  • BAIO CABOS – NEGROS: com pernas, crina e cola pretas.
  • BAIO ENCERADO: café com leite forte e manchas arredondadas e levemente mais escuras.
  • BAIO CEBRUNO: café com leite forte e argolas pretas nas quatro patas.
  • BAIO RUANO: café com leite bem desmaiado e crina e cola brancas.
  • BRANCO: totalmente branco
  • BRAGADO: totalmente coberto de manchas brancas, vermelhas ou pretas embaralhas e indefinidas, dando a apar6encia de um buquê de flores.
  • COLORADO: vermelho.
  • COLORADO PINHÃO: vermelho carregado, quase encarnado.
  • DOURADILHO: vermelho bem claro, que brilha quando exposto ao sol
  • GATEADO: café com leite forte ou marrom fraco.
  • GATEADO ROSILHO: com pintinhas brancas.
  • LUBUNO: cinza
  • MALACARA: geralmente cavalos vermelhos que tiverem, à frente da cabeça, uma mancha vertical, dos olhos até o focinho (outros pêlos que tiverem a mesma macha normalmente não são tratados como Malacara).
  • MOURO: pequenas pintas brancas sobre o fundo preto.
  • OVEIRO: manchas grandes, brancas, vermelhas ou pretas, arredondadas.
  • PAMPA: o cavalo que tiver toda a cabeça branca.
  • PANGARÉ: café com leite, com barriga e focinho brancos.
  • PICAÇO: todo preto com qualquer mancha branca e em qualquer lugar.
  • PRETO: totalmente preto
  • ROSILHO: pintas brancas sobre o fundo vermelho.
  • ROSILHO PRATEADO: rozilho, com a anca quase branca.
  • ROSADO: é como na Serra denominam o Bragado.
  • RUANO: vermelho claro e crinas e cola brancas.
  • TOBIANO: faixas largas e bem definidas, brancas e vermelhas ou brancas e pretas, em geral dispostas verticalmente.
  • TOBIANO ROZILHO: quando as faixas forem rozilhas.
  • TOBIANO MOURO: quando as faixas forem do pêlo mouro.
  • TORDILHO: fundo branco com pintas levemente mais escuras de um branco sujo.
  • TORDILHO NEGRO: fundo branco com pintas de um preto desmaiado.
  • TORDILHO VINAGRE: fundo branco sob pintas marrons.
  • TOSTADO: cor de castanha madura.
  • TOSTADO RUANO: A cor de castanha madura e crinas e cola brancas.
  • ZAINO: marrom escuro
  • ZAINO CRUZADO: marrom escuro e duas patas brancas desencontradas.
  • ZAINO NEGRO: quase preto.
  • ZAINO PINHÃO: puxado à cor de pinhão maduro.
  • ZAINO TAPADO: o que não tem qualquer pinta branca.

Alguns animais possuem de 1 a 4 canelas brancas, independente da sua pelagem geral, estes são chamados de "calçados" (gateado calçado da 4 patas, etc.).


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16 Jul 2008 

DANÇAS DO RIO GRANDE DO SUL


Valsa
 
O compasso ternário como dança é muito antigo. Originária das danças tirolezas austríacas. Entretanto com o título de valsa somente aparece no Séc. XVII e se realiza nos bailados de óperas no Séc. XVIII. Chega ao seu apogeu no Séc. XIX, com as "Valsas Vienenses" estilizadas pelos músicos e compositores da famílias Strauss. Veio para o Brasil nos fins do Séc. XVIII era conhecida "valsa figurada", trazida pelos portugueses. No Séc. XIX foi difundida e dançada a valsa de par com todas as pompas do Reino e do Império. Hoje, no sul do país a valsa ganhou seu estilo próprio, ritmo e dança. Adaptou-se aos costumes e maneiras do peão gaúcho.

Chotes

Dança de salão originária da Hungria. O "Schottisch" invadiu a França, Alemanha e Inglaterra no Séc. XIX. Apareceu no Brasil no período Regencial e foi moda no Segundo Império. De norte a sul o chotes é uma dança muito popular, cantado ou somente em solo instrumental. É dançado em pares com três passos comuns diferentes: um e um, dois e dois ou dois e um. No Rio Grande do Sul, além dos passos comuns, dança-se o chotes marcado e também, principalmente, entre os descendentes da imigração açoriana, dançam o chotes afigurado sem limites de passos e figuras. Em Santa Catarina também é dançado os passos comuns, chotes afigurado, chotes marcado e chotes contra-passo. No Paraná, além dos passos comuns é mais dançado o chotes marcado, ou seja: uma marcação e um valseio de um em um passo. Nas colônias de origem alemã e italiana dança-se chotes de carreirinha e chotes de quatro passos.

Milonga
 
Dança argentina ao som de guitarras muito popular no Uruguai de onde entrou para o Brasil. Hoje aculturada no pampa gaúcho, faz parte do acervo musical do sul brasileiro.

Rancheira

Dança de origem árabe. Trazida e estilizada na Argentina. No rio Grande do Sul o ritmo é mais vivo e a coreografia mais saltitante, estilo popular.

Vanera, Habanera ou Havanera

dança e canto popular originária de Havana - Cuba. Ritmo em 2/4 sendo o primeiro tempo forte e bem acentuado. Música popular em quase todos os países espano-americanos. No Rio Grande do Sul foi muito usada pelas Bandas das colônias de imigração italiana. Nos campos, os gaiteiros gaúchos denominavam de "vanera" e fez deste ritmo o mais amplo repertório para animação de fandangos, bailantas e festas gauchescas.

Bugio "BUGIU" de Bugio 

ritmo gaúcho de origem muito remota - fins do Séc. XIX. Dança de peões com chinas indígenas, sob qualquer som musical da época. No início do Séc. XX já era dançado ao som de gaitas de botão, mas ainda como dança não social. Na década de 50 o bugiu foi requintado com arranjos de gaitas apianadas e na década de 60 passou a Ter letra própria enfocando a presença do macaco bugio no contexto da letra. Hoje o Bugiu é dança de salão e deu origem a grandes festivais como "Ronco do Bugiu" em São Francisco de Paula e "Querência do Bugiu" em São Francisco de Assis.

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