15 Jul 2008 - 17:43:20
UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DE URUGUAIANA
UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DE URUGUAIANA - RS
O município de Uruguaiana comemora seu aniversário no dia 29 de maio. A data marca a elevação da então localidade de Uruguaiana à condição de capela curada, pela lei provincial de 29 de maio de 1846. No entanto, há uma outra data, ocorrida três anos antes, que faz de Uruguaiana uma cidade especial: ela foi a única vila fundada pelos farrapos durante o período da Revolução Farroupilha. No início do século XIX havia, a 30 quilômetros de Uruguaiana, uma localidade chamada Santana Velha, onde funcionava um posto fiscal, um acampamento militar e onde existiam alguns ranchos com moradores. A localidade ficava no ponto onde as tropas e comerciantes passavam o rio Uruguai. No ano de 1840 o povoado foi destruído por uma violenta inundação. O Rio Grande, naquela época (final da primeira metade do século XIX), se encontrava em plena Revolução Farroupilha. E os farrapos eram uma presença forte no sul da então província - ponto estratégico para eles, pois dali podiam atravessar a fronteira para Argentina ou Uruguai quando necessário. Em 24 de fevereiro de 1843, provavelmente avaliando a situação geográfica estratégica onde estaria a futura Uruguaiana, os farrapos criaram, junto ao Capão do Tigre, uma capela curada, com o nome de Capela do Uruguai. A criação da capela já havia sido decidida no ano anterior pela Assembléia Constituinte realizada em Alegrete pelos farrapos. A vila foi, assim, a primeira e única localidade criada no regime farroupilha. Por isso, seus moradores a chamam de "filha dileta dos farrapos". O local foi povoado por simpatizantes do movimento farroupilha. Com o final da Guerra dos Farrapos - em 1845 - o governo provincial aproveitou a boa situação geográfica do local e tratou de "refundar" Uruguaiana em 1846, dando-lhe o seu atual nome e elevando-a à condição de vila - agora, pela legislação provincial. Instalou, também, um posto fiscal e de milícias para controlar o movimento de cargas e pessoas na fronteira. A vila se desenvolveu e chegou à categoria de cidade em 1874. Mas, antes disso, passaria por maus momentos. Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, Uruguaiana foi invadida pelas tropas daquele país, em 5 de agosto, e só foi retomada em 18 de setembro. Embora a tomada tenha sido feita sem lutas, os paraguaios saquearam as casas de comércio - que eram muitas, devido ao intercâmbio com os países do Prata - e as residências. O local onde as tropas paraguaias instalaram suas barricadas, para resistir ao confronto com os soldados da Tríplice Aliança - Brasil, Uruguai e Argentina - foi a atual praça Rio Branco, em frente à prefeitura. Ali foi, também, o local onde se renderam - e por isto durante muitos anos se chamou "Praça da Rendição". Durante este século, através de seus moradores, Uruguaiana estaria presente em grande parte das revoluções que agitaram o país nas primeiras décadas. Exemplo disto foi a revolução de 1923, quando Flores da Cunha, que então era intendente do município, saiu da cidade chefiando uma tropa de legalistas (chimangos) para combater os maragatos. Encerrado o período de revoluções, a cidade passou a viver em função de sua pecuária e agricultura e do comércio internacional. Essa característica se acentuou a partir de 1947, quando foi inaugurada a ponte internacional, cuja construção tinha sido iniciada em 1943. A ponte internacional Agustin Justo - Getúlio Vargas, ou a Ponte do Mercosul, como vem sendo apresentada nas cidades de Uruguaiana e sua vizinha Paso de los Libres, no lado argentino da fronteira, completou 50 anos em 21 de maio de 1997. Graças a ela Uruguaiana se transformou no maior porto seco da América Latina e ocupa uma posição de destaque no cenário das trocas comerciais entre Brasil e Argentina - por ali passam mais de 5% de todo o comércio exterior brasileiro. Desde o século XIX há registros do interesse de se construir uma ponte na fronteira do Brasil com a Argentina. Mas o projeto somente começou a se tornar realidade no momento em que um grupo de pessoas iniciou um movimento nesse sentido. Entre elas destacam-se o empresário Eustáquio Ormazabal, considerado o idealizador da ponte internacional, e o então cônsul do Brasil em Libres, Antonio Mary Ulrich, um dos principais líderes da mobilização intensificada em 1933, quando se formaram comissões para tratar do assunto nos governos argentino e brasileiro. A liderança de Ormazabal e Ulrich chegou a ser reconhecida pelos Correios, que em 1945 lançaram uma folha, carimbo e selo brasileiros comemorativos à abertura da ponte ao tráfego de veículos. Entre os primeiros documentos oficiais relacionados com a ponte internacional Agustin Justo - Getúlio Vargas, destacam-se as notas diplomáticas trocadas entre as embaixadas, em 1934, anunciando a disposição dos governos de estudar a viabilidade do empreendimento. Em janeiro de 1938 os presidentes Justo e Vargas inauguraram as pedras fundamentais da ponte, nos dois lados da fronteira, mas as obras somente começaram em janeiro de 1943 - cada país levantou metade dos 1.419 metros distribuídos em 41 vãos, enquanto para simbolizar a integração todo o ferro era brasileiro e o cimento argentino. A inauguração, que deveria ter ocorrido em outubro de 1945, foi adiada em decorrência da queda de Vargas. Mas, de qualquer forma, a ponte foi aberta ao tráfego nessa ocasião. A inauguração ficou para 21 de maio de 1947, quando nem Vargas e nem Justo estavam mais nas presidências de seus países. O presidente brasileiro presente à solenidade foi Eurico Gaspar Dutra, enquanto o argentino era Juan Domingo Perón, que esteve acompanhado de Evita, que foi, na verdade, o grande destaque da festa.
O município de Uruguaiana comemora seu aniversário no dia 29 de maio. A data marca a elevação da então localidade de Uruguaiana à condição de capela curada, pela lei provincial de 29 de maio de 1846. No entanto, há uma outra data, ocorrida três anos antes, que faz de Uruguaiana uma cidade especial: ela foi a única vila fundada pelos farrapos durante o período da Revolução Farroupilha. No início do século XIX havia, a 30 quilômetros de Uruguaiana, uma localidade chamada Santana Velha, onde funcionava um posto fiscal, um acampamento militar e onde existiam alguns ranchos com moradores. A localidade ficava no ponto onde as tropas e comerciantes passavam o rio Uruguai. No ano de 1840 o povoado foi destruído por uma violenta inundação. O Rio Grande, naquela época (final da primeira metade do século XIX), se encontrava em plena Revolução Farroupilha. E os farrapos eram uma presença forte no sul da então província - ponto estratégico para eles, pois dali podiam atravessar a fronteira para Argentina ou Uruguai quando necessário. Em 24 de fevereiro de 1843, provavelmente avaliando a situação geográfica estratégica onde estaria a futura Uruguaiana, os farrapos criaram, junto ao Capão do Tigre, uma capela curada, com o nome de Capela do Uruguai. A criação da capela já havia sido decidida no ano anterior pela Assembléia Constituinte realizada em Alegrete pelos farrapos. A vila foi, assim, a primeira e única localidade criada no regime farroupilha. Por isso, seus moradores a chamam de "filha dileta dos farrapos". O local foi povoado por simpatizantes do movimento farroupilha. Com o final da Guerra dos Farrapos - em 1845 - o governo provincial aproveitou a boa situação geográfica do local e tratou de "refundar" Uruguaiana em 1846, dando-lhe o seu atual nome e elevando-a à condição de vila - agora, pela legislação provincial. Instalou, também, um posto fiscal e de milícias para controlar o movimento de cargas e pessoas na fronteira. A vila se desenvolveu e chegou à categoria de cidade em 1874. Mas, antes disso, passaria por maus momentos. Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, Uruguaiana foi invadida pelas tropas daquele país, em 5 de agosto, e só foi retomada em 18 de setembro. Embora a tomada tenha sido feita sem lutas, os paraguaios saquearam as casas de comércio - que eram muitas, devido ao intercâmbio com os países do Prata - e as residências. O local onde as tropas paraguaias instalaram suas barricadas, para resistir ao confronto com os soldados da Tríplice Aliança - Brasil, Uruguai e Argentina - foi a atual praça Rio Branco, em frente à prefeitura. Ali foi, também, o local onde se renderam - e por isto durante muitos anos se chamou "Praça da Rendição". Durante este século, através de seus moradores, Uruguaiana estaria presente em grande parte das revoluções que agitaram o país nas primeiras décadas. Exemplo disto foi a revolução de 1923, quando Flores da Cunha, que então era intendente do município, saiu da cidade chefiando uma tropa de legalistas (chimangos) para combater os maragatos. Encerrado o período de revoluções, a cidade passou a viver em função de sua pecuária e agricultura e do comércio internacional. Essa característica se acentuou a partir de 1947, quando foi inaugurada a ponte internacional, cuja construção tinha sido iniciada em 1943. A ponte internacional Agustin Justo - Getúlio Vargas, ou a Ponte do Mercosul, como vem sendo apresentada nas cidades de Uruguaiana e sua vizinha Paso de los Libres, no lado argentino da fronteira, completou 50 anos em 21 de maio de 1997. Graças a ela Uruguaiana se transformou no maior porto seco da América Latina e ocupa uma posição de destaque no cenário das trocas comerciais entre Brasil e Argentina - por ali passam mais de 5% de todo o comércio exterior brasileiro. Desde o século XIX há registros do interesse de se construir uma ponte na fronteira do Brasil com a Argentina. Mas o projeto somente começou a se tornar realidade no momento em que um grupo de pessoas iniciou um movimento nesse sentido. Entre elas destacam-se o empresário Eustáquio Ormazabal, considerado o idealizador da ponte internacional, e o então cônsul do Brasil em Libres, Antonio Mary Ulrich, um dos principais líderes da mobilização intensificada em 1933, quando se formaram comissões para tratar do assunto nos governos argentino e brasileiro. A liderança de Ormazabal e Ulrich chegou a ser reconhecida pelos Correios, que em 1945 lançaram uma folha, carimbo e selo brasileiros comemorativos à abertura da ponte ao tráfego de veículos. Entre os primeiros documentos oficiais relacionados com a ponte internacional Agustin Justo - Getúlio Vargas, destacam-se as notas diplomáticas trocadas entre as embaixadas, em 1934, anunciando a disposição dos governos de estudar a viabilidade do empreendimento. Em janeiro de 1938 os presidentes Justo e Vargas inauguraram as pedras fundamentais da ponte, nos dois lados da fronteira, mas as obras somente começaram em janeiro de 1943 - cada país levantou metade dos 1.419 metros distribuídos em 41 vãos, enquanto para simbolizar a integração todo o ferro era brasileiro e o cimento argentino. A inauguração, que deveria ter ocorrido em outubro de 1945, foi adiada em decorrência da queda de Vargas. Mas, de qualquer forma, a ponte foi aberta ao tráfego nessa ocasião. A inauguração ficou para 21 de maio de 1947, quando nem Vargas e nem Justo estavam mais nas presidências de seus países. O presidente brasileiro presente à solenidade foi Eurico Gaspar Dutra, enquanto o argentino era Juan Domingo Perón, que esteve acompanhado de Evita, que foi, na verdade, o grande destaque da festa.
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